segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Misto de sensações...

Noites de primaveras sufocantes
Feitas de pranto;
Seiva de morte corre nas veias
Dos anjos murmúrios de um canto
Pranto das minhas dores ou dores alheias.
Sussurrar das ondas ou canto das sereias.
Não ter com quem falar
Ficar perplexa perante um único olhar.
Será sonho, visão, será amar.
Coração a tremer entre as mãos
Mente a transbordar pensamentos vãos.
Insónias, sonhos acordados
Loucura momentânea que arrasto na minha alma.
Até ao último dos meus dias
De minhas noites.

A Terra



Dá-me a tua mão

Vem, ouves o vento?

Sentes o cheiro da terra, o cheiro do pão

Os delírios da serra, onde não existe tempo.

A sabedoria feita da simplicidade

As mãos de sábios e ásperos gestos,

Do passado ávidas de saudade.

Sentes, não fujas, não ignores, fica, vive

É um mundo de passado e presente.

domingo, 3 de agosto de 2008

Em ti amor procuro...



Em ti amor procuro

Em ti abraço o que me foge

Em vão, às cegas, no escuro

Procuro a vida, que a vida é hoje.

Amor que eu guardo e quero e peço

Gestos de medo, secreta angústia de desejo.

Como se os sonhos renascessem

Do lume da lembrança

E foje dos teus olhos ávidos de esperança

Que as minhas lágrimas corressem.

Aqui estou à tua espera

Morta ou viva em mim...

Amor que estala, crepita, arde e corta

Sem relógio, bússula, estrela ou norte.

Murmúrios



Murmúrios de àgua, murmúrios do vento

Suspiros sem mágoa, cansaços sem tormento

O ódio que me lançaste na cara

Bebe-o como puro elixir de amor

Não amor paixão, amor amizade

Que ninguém apaga;

Que se funde e se confunde com o sangue

Com a seiva, o que não arde não queima,

Não incomoda, não tem lágrimas, não tem dor

Apenas um murmúrio de água de vento

Sem mágoa ou tormento.

sábado, 2 de agosto de 2008

Cegueira...



Aquele que segura o sol

E não vê que arde;

Não sente, não vê o medo

Olha o céu

E não vê o nevoeiro;

Segura a mão

E não sente que treme;

Vê as estrelas

E não vê como brilham;

Vive no meu mundo

E não vê como se desmorona.

Tem medo, sente medo, res+ira medo

E não tem medo.

Não sente o sol a queimar

Cá dentro, queima e não sente.

Segura a mão cujas linhas ardem

E não vê que tudo morre.

Abismo


O abismo começa em ti
Em ti encerra-se o enigma.
Quem és?
Que música é esta que fazes cair em minha morte?
Inclino-me em ti...
Procuro o absurdo traço de cada inigma.
Silêncio nos olhos
Entre a dor e o espanto da treva.
Despenho-me nesses precipicios,
Arrebata-me esse brilho tão vivo,
Crescendo para a escuridão
Para o abismo.
Os riscos correm para o teu silêncio
Silêncio que ambiciona o caos.
Eu despenho-me na tua música.